terça-feira, 16 de setembro de 2014

Os duendes

Sou uma pessoa organizada ou, pelo menos gosto de pensar que sim. Gosto de encontrar as minhas coisas como as deixei da última vez que lhes peguei. Gosto de me movimentar em ambientes limpos e arrumados. Sou metódica e quando procuro algo, gosto de o encontrar rapidamente e, de preferência, onde o deixei. Sou um tudo ou nada neurótica, portanto.

Seria de prever que o meu mundo corresse às mil maravilhas no que diz respeito a eficiência, certo? ERRADO!

De vez em quando (não é a maioria das vezes mas sem dúvida muitas mais do gostaria) deixo algo num determinado sítio e quando volto a precisar, não o encontro. Procuro no sítio certo onde juro a pés juntos que o deixei e nada... acrescento que nunca me engano, raramente tenho dúvidas e se digo deixei algo num sítio ai de quem se atreva a dizer o contrário mesmo quando acabo por o encontrar bem longe dali. 

Outras vezes acontece outra coisa que me irrita muitíssimo. Trabalho num documento importante e como notória neurórica perfeccionista deixo-o impecável após muitas algumas mudanças e correcções. Chego mesmo a gastar mais tempo em melhoramentos do que propriamente no trabalho em si de tão insegura boa profissional que por vezes sou. Xiu! Seria de esperar que o trabalho se encontrasse no pináculo da perfeição quando o abro novamente, certo? ERRADO!! Abro o ficheiro e o que é que encontro? Nada menos do que o mesmo trabalho estupendo ainda com mais uma ou outra correcção a ser feita. Encontro ainda um trabalho em progresso ao contrário daquele que tenho a certeza que deixei acabado.

Responsabilidade minha? Nada disso, são eles


Por inverossímil que pareça, habitam na minha residência seres que actuam assim que as luzes se apagam para um merecido descanso. Silenciosos e inodoros sabotam os meus trabalhos e mudam as coisas de sítio. Sacanas. Malandros.

Um dia apanho um e apresento-o como prova de que não sou a despassarada que todos julgam.


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