sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um amor de 19 anos

Há 19 anos atrás apaixonei-me. Inicialmente não previ que era paixão pois começou de forma natural e não planeada, no sentido «vamos lá ver no que isto dá». Penso que todas as relações marcantes começam assim, esta pelo menos começou.

Meses adentro ia sentindo o calor da sua companhia. Sempre presente. Sentia os efeitos da sua paixão e a atenção que me exigia constantemente. Não folgo dizer que durante  muito tempo não lhe dei o carinho merecido, a atenção que me pedia para que o nosso amor pudesse dar frutos desde logo. Mas a verdade é que o amor ia crescendo dentro de mim.

Ao 6.º ano deste amor finalmente"tombei amorosa". Aconteceu quando senti que se afastava pela minha falta de envolvimento sério (eu era uma garota, mas ainda assim...) Foi em 2004 que percebi e decidi agir para viver este amor em pleno. Assim o fiz nos dois anos que se seguiram vivi uma relação completa, arrebatadora, feliz em todos os momentos. Feliz nas pequenas e nas grandes coisas. Grata nos pormenores e nos pormaiores. Até ao fim de 2005 fomos companheiros, caminhamos de mão dada, evoluímos e crescemos.

Davas-me tudo menos estabilidade. Sabia que era só eu querer e estaríamos juntos para o resto da vida. Mas o que nunca me darias, por mais que eu tentasse e te pedisse (suplicasse até) era a certeza da solidez e a tranquilidade que todas as relações adultas precisam. Sim, o nosso amor foi feiticeiro e sedutor mas nunca trouxe Paz nem me permitiu o equilíbrio.

Em 2005 sofremos um abalo que quase terminou com a nossa relação. De fora apareceu algo que me prometia a tão desejada paz e estabilidade. Reflecti e decidi continuar contigo muito embora todos me dissessem para me libertar de ti. Senti (como senti!) essa decisão desde 2005 até agora. Arrependi-me amargamente e amaldiçoei o dia em que me enfeitiçaste com os teus encantos. Desejei mais do que tudo voltar a ter a oportunidade que tivera em 2005 para que, desta vez, pudesse fazer uma escolha diferente.

Agosto de 2014 chega e dá-me essa possibilidade. Encarei-a de frente e desta vez disse-lhe que sim, apesar de me sentir um pouco velha para embarcar num novo amor. Tontices, nunca somos demasiado velhos para amar. Fiz esta escolha com convicção.

É isso que quero. Quero Amar em vez de amar e sentir Paz em vez de paz. Por isso vou partir para outras paragens, vou-me afastar. Esta escolha vai dar-me a oportunidade de escolher a solidez e a profundidade da relação.

E a ti, meu amor de 19 anos resta-me desejar que mais à frente reapareças, se quiseres naturalmente. Vou continuar a lutar por ti mas amando-me a mim primeiro. Se vieres, estarei de braços abertos para te receber mas nunca mais te porei à frente de mim.

Meu amor, Psicologia. Meu Amor, eu própria.

Sim, falo do meu amor pela disciplina que estudei e exerci profissionalmente até agora. Falo das coisas boas e más que me trouxe, ultimamente mais agri do que doce. É por isso que digo que agora escolho o Amor e isso significa que escolho-me a mim e à vida que quero ter. Recomeço, como se tivesse novamente 20 e poucos anos. Agora, sei o que quero.

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